VALOR DO ESCAPULÁRIO
O escapulário tem valor porque
constitui um meio que nos aproxima do Senhor, despertando em
nosso coração o amor filial para com a Virgem Maria. Aquelês
que o usam aprendem a pedir graças a Deus por meio de Maria:
A graça da boa morte
Morrer bem é o fim de uma caminhada que interessa a todos
nós porque nos introduz na alegria definitiva.
A morte, iluminada pela fé, torna-se a chave de ouro e nos
abre a porta do Reino. Sem a luz da fé, o homem mergulha em
total desespero, que transforma a vida em angustiante busca
dos prazeres passageiros. É salutar pedir a Maria, que
estava aos pés da Cruz contemplando a morte de seu filho,
que nos assista na ultima agonia.
Jesus nos advertiu mais de uma vez da necessidade de vigiar
porque não sabemos nem o dia nem a hora da vinda do Filho do
Homem. As parábolas das dez virgens e dos talentos nos
mostram a incerteza do último acontecimento. Sem saber como
morreremos, buscamos a certeza da protecção de Maria. O
escapulário quer ser esta certeza da protecção de Maria.
Quer ser essa certeza em nossa vida. E claro que não é um
talismã ou um objecto que dá sorte. E um sinal da nossa
opção fundamental por Cristo e por sua Mãe, nossa Mãe.
Transportar um "sinal" sagrado pressupõe a fé e revela as
atitudes do coração humano. Os sinais não devem ser enfeites
que chamem a atenção, mas, em sua simplicidade, como o
escapulário, devem fazer referência à nossa adesão a Cristo
e aos compromissos baptismais. E sendo sinal de Alguém que o
escapulário encontra a sua razão de estar presente na vida
da Igreja.
Ser cristão não é banir os sinais, com orgulhosa violência,
da nossa vida; ao contrário, é mantê-los com destemida
perseverança, desde que favoreçam a vivência do Evangelho
com maior profundidade.
Precisamos viver bem para morrer bem. O uso do escapulário
nos lembra que, no peregrinar da vida, não anda sozinho quem
escolheu Maria como seu modelo e sua protecção. É impossível
viver sem sinais, sem símbolos. Eles são setas orientadoras
nas estradas da vida. É por meio de uma intensa simbologia
que somos capazes de revelar o que carregamos de mais
precioso dentro de nós.
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NORMAS PRATICAS SOBRE O
ESCAPULÁRIO
1. Quem pode usar o escapulário?
Todo cristão que queira comprometer-se com maior empenho
na vivência do Evangelho, assumindo Maria como modelo e
protectora, pode usar o escapulário.
Não existe nenhuma restrição quanto ao seu uso. A
história nos apresenta papas, bispos, sacerdotes, religiosos
e cristãos que o usaram. Não há condições especiais para
uma devoção caracterizada pela sua universalidade, que traz
a marca do grande amor por Maria.
2. Como receber o escapulário?
Na primeira vez, deve-se pedir a um sacerdote que abençoe
o escapulário e o imponha com uma fórmula aprovada pela
Igreja.
Com a imposição do escapulário passa-se a fazer parte da
grande família carmelitana, participando de toda a vida
espiritual do Carmelo.
Por ser confeccionado com tecido, o escapulário
desgasta-se facilmente; por isso recomenda-se que seja
substituído por um novo quando necessário. Este também
deverá receber a bênção sacerdotal.
Presentear com o escapulário ou impô-lo a alguém sem a
bênção sacerdotal não tem valor. Deve-se convidar cada
pessoa a receber pessoalmente este sinal de amor a Nossa
Senhora. É aconselhável, por conseguinte, que na festa de
Nossa Senhora do Carmo ou em outras circunstâncias seja
feita uma catequese sobre o significado do escapulário e
depois o povo seja convidado a recebê-lo com amor.
3. Como usar o escapulário?
O significado do escapulário é ser um "pequeno hábito".
Deve-se, portanto, usá-lo sempre.
Para facilitar, a Igreja permite que no lugar do
escapulário de tecido se use uma medalha de Nossa Senhora,
mesmo que não seja a do Carmo.
A medalha, sem dúvida, é mais prática, e muitas pessoas
julgam que ela chama menos atenção. O que importa,
entretanto, é ter um sinal que expresse a nossa devoção a
Maria.
4. O que fazer?
l. Aprofundar continuamente a vida cristã; engajar-se
sempre mais na pastoral da Igreja, dar testemunho de vida
cristã.
2. Vivenciar as práticas da devoção à Virgem Maria, tão
enraizada no povo; meditar a Palavra de Deus e participar
activamente da vida da Igreja.
3. Procurar fazer pequenas penitências que fortaleçam a
vida espiritual e levem a participar da Paixão de Cristo e
da paixão do povo.
4. Terço e escapulário são inseparáveis. É preciso,
portanto, descobrir o terço como oração que une a família,
"pequena Igreja doméstica", ao redor da Mãe de Jesus.
As Ordens devem possuir um livro para registar os nomes
das pessoas que receberam o escapulário, enfatizando o
compromisso de recebê-lo.
ESCAPULÁRIO DO CARMO:
UM SINAL DE FÉ E COMPROMISSO
CRISTÃO
Os sinais na vida humana
Vivemos num mundo feito de realidades materiais repletas
de simbolismo: a luz, o fogo, a água...
Existem também na vida quotidiana experiências de
relacionamento entre as pessoas que expressam e simbolizam
coisas mais profundas, como compartilhar a comida (sinal de
amizade), participar de uma manifestação popular (sinal de
solidariedade), celebrar juntos uma data cívica (sinal de
identidade).
Temos necessidade de sinais e símbolos que nos ajudem a
compreender e viver factos do presente e do passado, e
que nos dêem consciência do que somos como pessoas e como
grupos.
Os sinais na vida cristã
Jesus é o grande dom do amor do Pai. Constituiu a Igreja
como sinal e instrumento de seu amor. Na vida cristã também
há sinais, que Jesus utilizou (o pão, o vinho, a água) para
nos fazer compreender realidades superiores que não vemos
nem tocamos.
Na celebração da Eucaristia e dos sacramentos (da
confirmação, reconciliação, matrimónio, ordem, unção dos
enfermos), os símbolos (água, óleo, imposição das mãos,
alianças) têm um significado e nos introduzem em uma
comunicação com Deus, presente por meio deles.
Além dos sinais litúrgicos, existem na Igreja outros,
ligados a um acontecimento, a um costume, a uma pessoa. Um
deles é o escapulário do Carmo.
O valor e o sentido do escapulário
O escapulário tem as suas raízes na tradição da Ordem que
o interpretou como sinal de protecção materna de Maria. Tem
em si mesmo, a partir dessa experiência plurissecular, um
sentido espiritual aprovado pela Igreja:
Representa o compromisso de seguir a Jesus como Maria, o
modelo perfeito de todo discípulo de Cristo. Este
compromisso tem a sua origem no baptismo que nos transforma
em filhos de Deus.
A Virgem nos ensina a:
viver abertos a Deus e à sua vontade, manifesta nos
acontecimentos da vida;
escutar a Palavra de Deus na Bíblia, na vida. a crer
nela e pôr em prática as suas exigências;
rezar em todos os momentos, descobrindo Deus presente
em todas as circunstâncias;
perceber as necessidades de nossos irmãos e
solidarizar-nos com eles.
Propõe como modelo o exemplo dos santos e santas do
Carmelo com os quais estabelece um relacionamento familiar
de irmãos e irmãs.
Expressa a fé no encontro com Deus na vida eterna,
mediante a intercessão de Maria.
O escapulário do Carmo
Não é:
- sinal protector mágico;
- garantia automática de salvação;
- isenção de viver as exigências da vida cristã.
É um sinal:
- Aprovado pela Igreja há sete séculos;
- que representa o compromisso de seguir Jesus como
Maria:
- abertos a Deus e à sua vontade;
- guiados pela fé, esperança e amor;
- atentos às necessidades dos outros;
- indo em todo o momento e descobrindo Deus presente em
todas as circunstâncias;
que introduz na família do Carmelo;
que alimenta a esperança do encontro com Deus na vida
eterna, com a protecção e intercessão de Maria.
Textos Extraídos do Livro
Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
de Frei Patrício
Sciadini, ocd