ESCAPULÁRIO  DE  NOSSA  SENHORA  DO  CARMO

Deus começou o diálogo com o homem no princípio dos tempos, e nos fez semelhantes a Ele para estabelecer uma relação de amizade. Este Deus amigo do homem sempre se comunicou connosco.

FREI  PATRÍCIO SCIADINI,

 
 
     
 

VALOR DO ESCAPULÁRIO

 

O escapulário tem valor porque constitui um meio que nos aproxima do Senhor, despertando em nosso coração o amor filial para com a Virgem Maria. Aquelês que o usam aprendem a pedir graças a Deus por meio de Maria:

 

 A graça da boa morte

 

Morrer bem é o fim de uma caminhada que interessa a todos nós porque nos introduz na alegria definitiva.

A morte, iluminada pela fé, torna-se a chave de ouro e nos abre a porta do Reino. Sem a luz da fé, o homem mergulha em total desespero, que transforma a vida em angustiante busca dos prazeres passageiros. É salutar pedir a Maria, que estava aos pés da Cruz contemplando a morte de seu filho, que nos assista na ultima agonia.

 

Jesus nos advertiu mais de uma vez da necessidade de vigiar porque não sabemos nem o dia nem a hora da vinda do Filho do Homem. As parábolas das dez virgens e dos talentos nos mostram a incerteza do último acontecimento. Sem saber como morreremos, buscamos a certeza da protecção de Maria. O escapulário quer ser esta certeza da protecção de Maria. Quer ser essa certeza em nossa vida. E claro que não é um talismã ou um objecto que dá sorte. E um sinal da nossa opção fundamental por Cristo e por sua Mãe, nossa Mãe.

 

Transportar um "sinal" sagrado pressupõe a fé e revela as atitudes do coração humano. Os sinais não devem ser enfeites que chamem a atenção, mas, em sua simplicidade, como o escapulário, devem fazer referência à nossa adesão a Cristo e aos compromissos baptismais. E sendo sinal de Alguém que o escapulário encontra a sua razão de estar presente na vida da Igreja.

 

Ser cristão não é banir os sinais, com orgulhosa violência, da nossa vida; ao contrário, é mantê-los com destemida perseverança, desde que favoreçam a vivência do Evangelho com maior profundidade.

 

Precisamos viver bem para morrer bem. O uso do escapulário nos lembra que, no peregrinar da vida, não anda sozinho quem escolheu Maria como seu modelo e sua protecção. É impossível viver sem sinais, sem símbolos. Eles são setas orientadoras nas estradas da vida. É por meio de uma intensa simbologia que somos capazes de revelar o que carregamos de mais precioso dentro de nós.

 

 

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NORMAS PRATICAS SOBRE O ESCAPULÁRIO

 

 

1. Quem pode usar o escapulário?

 

Todo cristão que queira comprometer-se com maior empenho na vivência do Evangelho, assumindo Maria como modelo e protectora, pode usar o escapulário.

Não existe nenhuma restrição quanto ao seu uso. A história nos apresenta papas, bispos, sacerdotes, religiosos e cristãos que o usaram. Não há condições especiais para  uma devoção caracterizada pela sua universalidade, que traz a marca do grande amor por Maria.

 

 

2. Como receber o escapulário?

 

Na primeira vez, deve-se pedir a um sacerdote que abençoe o escapulário e o imponha com uma fórmula aprovada pela Igreja.

Com a imposição do escapulário passa-se a fazer parte da grande família carmelitana, participando de toda a vida espiritual do Carmelo.

Por ser confeccionado com tecido, o escapulário desgasta-se facilmente; por isso recomenda-se que seja substituído por um novo quando necessário. Este também deverá receber a bênção sacerdotal.

 

Presentear com o escapulário ou impô-lo a alguém sem a bênção sacerdotal não tem valor. Deve-se convidar cada pessoa a receber pessoalmente este sinal de amor a Nossa Senhora. É aconselhável, por conseguinte, que na festa de Nossa Senhora do Carmo ou em outras circunstâncias seja feita uma catequese sobre o significado do escapulário e depois o povo seja convidado a recebê-lo com amor.

 

 

3. Como usar o escapulário?

 

O significado do escapulário é ser um "pequeno hábito". Deve-se, portanto, usá-lo sempre.

Para facilitar, a Igreja permite que no lugar do escapulário de tecido se use uma medalha de Nossa Senhora, mesmo que não seja a do Carmo.

A medalha, sem dúvida, é mais prática, e muitas pessoas julgam que ela chama menos atenção. O que importa, entretanto, é ter um sinal que expresse a nossa devoção a Maria.

 

4. O que fazer?

 

l. Aprofundar continuamente a vida cristã; engajar-se sempre mais na pastoral da Igreja, dar testemunho de vida cristã.

2. Vivenciar as práticas da devoção à Virgem Maria, tão enraizada no povo; meditar a Palavra de Deus e participar activamente da vida da Igreja.

3. Procurar fazer pequenas penitências que fortaleçam a vida espiritual e levem a participar da Paixão de Cristo e da paixão do povo.

4. Terço e escapulário são inseparáveis. É preciso, portanto, descobrir o terço como oração que une a família, "pequena Igreja doméstica", ao redor da Mãe de Jesus.

 

 

As Ordens devem possuir um livro para registar os nomes das pessoas que receberam o escapulário, enfatizando o compromisso de recebê-lo. 

 

 

 

 

ESCAPULÁRIO DO CARMO:

UM SINAL DE FÉ E COMPROMISSO CRISTÃO

 

Os sinais na vida humana

 

Vivemos num mundo feito de realidades materiais repletas de simbolismo: a luz, o fogo, a água...

Existem também na vida quotidiana experiências de relacionamento entre as pessoas que expressam e simbolizam coisas mais profundas, como compartilhar a comida (sinal de amizade), participar de uma manifestação popular (sinal de solidariedade), celebrar juntos uma data cívica (sinal de identidade).

 

Temos necessidade de sinais e símbolos que nos ajudem a compreender e viver factos do presente e do passado,  e que nos dêem consciência do que somos como pessoas e como grupos.

 

Os sinais na vida cristã

 

Jesus é o grande dom do amor do Pai. Constituiu a Igreja como sinal e instrumento de seu amor. Na vida cristã também há sinais, que Jesus utilizou (o pão, o vinho, a água) para nos fazer compreender realidades superiores que não vemos nem tocamos.

Na celebração da Eucaristia e dos sacramentos (da confirmação, reconciliação, matrimónio, ordem, unção dos enfermos), os símbolos (água, óleo, imposição das mãos, alianças) têm um significado e nos introduzem em uma comunicação com Deus, presente por meio deles.

Além dos sinais litúrgicos, existem na Igreja outros, ligados a um acontecimento, a um costume, a uma pessoa. Um deles é o escapulário do Carmo.

 

O valor e o sentido do escapulário

 

O escapulário tem as suas raízes na tradição da Ordem que o interpretou como sinal de protecção materna de Maria. Tem em si mesmo, a partir dessa experiência plurissecular, um sentido espiritual aprovado pela Igreja:

 

Representa o compromisso de seguir a Jesus como Maria, o modelo perfeito de todo discípulo de Cristo. Este compromisso tem a sua origem no baptismo que nos transforma em filhos de Deus.

 

A Virgem nos ensina a:

 

viver abertos a Deus e à sua vontade, manifesta nos acontecimentos da vida;

escutar a Palavra de Deus na Bíblia, na vida. a crer nela e pôr em prática as suas exigências;

rezar em todos os momentos, descobrindo Deus presente em todas as circunstâncias;

perceber as necessidades de nossos irmãos e solidarizar-nos com eles.

 

Propõe como modelo o exemplo dos santos e santas do Carmelo com os quais estabelece um relacionamento familiar de irmãos e irmãs.

 

Expressa a fé no encontro com Deus na vida eterna, mediante a intercessão de Maria.

 

 

O escapulário do Carmo

 

    Não é:

 

 - sinal protector mágico;

 - garantia automática de salvação;

 - isenção de viver as exigências da vida cristã.

 

    É um sinal:

 

 - Aprovado pela Igreja há sete séculos;

 - que representa o compromisso de seguir Jesus como Maria:

 - abertos a Deus e à sua vontade;

 - guiados pela fé, esperança e amor;

 - atentos às necessidades dos outros;

 - indo em todo o momento e descobrindo Deus presente em todas as circunstâncias;

 

que introduz na família do Carmelo;

 

que alimenta a esperança do encontro com Deus na vida eterna, com a protecção e intercessão de     Maria.

 

 

 

Textos Extraídos  do Livro Escapulário de Nossa Senhora do Carmo   

de     Frei Patrício Sciadini,  ocd

 
     
 

 

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