| |
No dia 11 do mês de Maio do ano de 1496, o rei D. Manuel assinava, em Setúbal, um privilégio extensivo aos conventos carmelitas portugueses, em virtude do qual ficavam isentos «de pagar sisa, decima portagem das bestas de madeira e outras escusas que comprassem, vendessem ou trouxessem de quaisquer lugares...»
Nos finais do século XV (15 de Julho de 1499), um testamento, de Fernão Anes, deixava um olival ao convento do Carmo de Setúbal.
Como é natural, alguns frades deixariam ao convento os seus próprios bens, como deve ter feito, por volta de 1518, o Frei João Fidalgo
Na primeira metade do século XVI, é de salientar a protecção dispensada ao convento por Vasco da Gama e seus descendentes. O próprio Vasco da Gama comprou ao seu irmão D. Ayres da Gama «a tença de 10.000 reaes, e a Margarida Annes a de 7.333 reaes, cujos contratos foram sancionados por el-Rei D. Manuel que lhe mandou passar padrão, em carta sellada com o sêllo pendente, datada de Lisboa a 20 de setembro de 1516, e confirmada por D. João III em Almeirim a 6 de junho de 1523.
A importantíssima projecção dos Carmelitas portugueses na América, travou, naturalmente, o processo fundacional na metrópole.
Não obstante, em finais do séc. XVI e no séc. XVII fizeram-se algumas fundações, que passamos a enumerar.
Um manuscrito da Torre do Tombo oferece pormenores fiáveis acerca das motivações da fundação.
Era provincial o Padre. João da Costa e prior do convento de Lisboa o Padre. Simão Coelho. Os Carmelitas compraram a Álvaro da Silva, 2.° cavaleiro da Ordem de Cristo e comendador da mesma Ordem, umas casas grandes, onde se pudessem alojar os religiosos que vinham de Lisboa para o Alentejo. A escritura foi assinada no dia 24 de Abril de 1597.0 prior e cavaleiros do convento do Carmo de Lisboa tomaram posse dessas casas nos finais o mesmo ano.
Filipe II, por alvará outorgado no dia 28 de Novembro de 1601, deu licença para edificar um convento. Uma licença do arcebispo de Lisboa, Miguel de Castro, de 9 de Fevereiro de 1604, reitera que já lhe tinha sido dado licença havia dois ou três anos.
O Papa Clemente VII, por bula de 13 de Fevereiro de 1603, tinha autorizada a construção do edifício’.
Número de Religiosos
Dos princípios do Século, XVII, dispomos de dados tirados do Regestrum do Geral da Ordem, Henrique Silvio, acerca do número de religiosos nos conventos portugueses:
O Convento do Carmo da vila de Setúbal tinha pela na sua antiguidade a 12a voz nos Capítulos Provinciais e tinha 18 frades conventuais.
Por volta dos anos 1650-1655, estava acabada a igreja.
Sem poder precisar a data em que foi inaugurada, o Pe. Sancho Faro, irmão legítimo do Conde de Mira e que morreu na Transpontina de Roma, celebrou missa; onde pregou, nesta ocasião, o Padre. João da Silveira.
No priorado dos anos seguintes, do Padre. Martinho, fizeram-se os arcos de pedra do claustro. As obras continuaram nos anos seguintes.
Em 1690, o Padre. Francisco Macedo mandou construir um órgão e comprar diversos objectos de prata
A igreja não era um templo majestoso, mas decente bem acabado, com tecto de abóbada.»
Em 1714, fizeram-se obras de certa importância, para viver com mais comodidade. Conseguiu-se da Câmara um cano de água; enriqueceu-se o património artístico da igreja com novos altares, talhas, etc.,.
O convento «tinha as necessárias acomodações.
No centro do claustro do convento, estava um fontanelo ou pequeno chafariz que recebia água do chamado Pocinho, que está na Rua de S. Caetano.
Ao meio do chafariz erguia-se uma coluna em volta da qual ficava uma bacia de 2 metros de diâmetro, tendo na parte exterior da circunferência oito carrancas por onde saia a água para o tanque que lhe ficava inferior.
Tudo de mármore lavrado».
Na igreja, como era costume, existiam numerosas sepulturas de famílias nobres, como os Castro Melo.
O TERRAMOTO DE 1755
Em Setúbal à ruína do convento seguiu-se a precipitação das ondas do mar, de modo que não havia esperança de que se pudesse edificar de novo o Convento.
Em 1765, o prior, Tomás Pinna de Mello, fez um livro onde anotou os bens que o convento possuía e as capelanias com as suas obrigações de missas. É um livro excelente de 128 folhas.
Os setubalenses foram muito devotos dos Carmelitas e fizeram numerosas doações compensadas. Havia outros bens que provinham de heranças dos próprios religiosos.
.
Há um ofício de 29 de Dezembro de 1834 e de 2 de Junho de 1835, assinado por José Maria Grande e dirigido a António Nunes de Carvalho, para que fossem entregues os cartórios, pinturas, quadros, etc.
As autoridades da vila ficavam obrigadas a fazer esta entrega.
O edifício foi ocupado pelo Ministério da Guerra, no dia 19 de Junho de 1837, e utilizado como depósito de viveres.
Da parte não ocupada pelo Ministério da Guerra encarregou-se a Câmara, no dia 20 de Junho de 1863. Actualmente e com as necessárias adaptações, este espaço é um centro de ensino”.
Há no entanto ainda algumas dependências do mesmo que pertencem à Ordem Terceira do Carmo de Setúbal:
uma capela de dimensões discretas com imagens de santos carmelitas, salão de reuniões, arquivo, etc.
Em 1996, projectou-se a construção de uma residência para idosos da Ordem Terceira. O processo foi concluído em 1 de Abril de 2004.
Resumindo
Os historiadores e as fontes documentais são .unânimes em afirmar que a Ordem Terceira de Setúbal foi fundada em 1674. Nela se alistaram numerosas pessoas pertencentes à nobreza e ao clero.
Nos anos seguintes, com empréstimos da Ordem Terceira de Évora e esmolas dos próprios Terceiros, esculpiram-se as imagens, de modo que, em 1676, pôde fazer-se uma procissão vistosa e que foi motivo de admiração.
“No ano seguinte, 1677, a comunidade Carmelita doou aos Terceiros urna capela do complexo conventual para que celebrasse os seus próprios cultos.
Depressa os Terceiros de Setúbal quiseram elaborar os estatutos para o seu governo.
Há indícios de que foram aprovados em 1676 e em 1678 .
Os que conhecemos datam de 1691. Coincidem com os de outras Ordens Terceiras de Portugal, com algumas normas particulares de carácter local para os Terceiros de Setúbal”..
O Compromisso da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo da Cidade de Setúbal

Este compromisso está escrito em pergaminho, num volume com capas forradas de veludo carmesim e com chapas de prata apostas nas quatro pontas e.no meio de uma das capas.
O livro que tem a data de 1691,compõe-se de prólogo e dos seguintes capítulos:
1°- Dos Irmãos da Mesa.
2° - Do Irmão Prior.
3° - Do Padre Comissário.
4° - Do Irmão Superior.
5° - Do Irmão Secretário.
6° - Dos Irmãos Definidores.
7° - Do Irmão Tesoureiro.
8° - Do Irmão Procurador.
9° - Do Tesoureiro da Cera.
10° - Dos Irmãos do Culto Divino.
11° - Da Forma da Mesa na Igreja nas Sextas-feiras da Quaresma.
12° - Da Eleição dos Irmãos.
13° - Das obrigações da Mesa logo que toma posse.
14° - Da eleição de Priores e Sub-Priores.
15° - Da Junta que a Ordem há-de eleger para com ela a Mesa resolver.
16° - Do que a Mesa não pode resolver sem a Junta.
17° - Do lugar da Junta com a Mesa.
Cerca de 30 livros de conteúdo variado denotam a continuação e sobrevivência da Ordem Terceira.do Carmo em Setúbal.

Prova também da sua força e vigor é o facto de, em 1913,serem editados os seus próprios estatutos. Estes estatutos mantêm, em linhas gerais, o esquema dos já conhecidos. e foram confirmados por parte do Governador Civil do Distrito de Lisboa, em 11 de Novembro de 1913
Voltar A
História
|
|