Chegados ao Natal, Natividade do
Senhor ou ainda, provavelmente com mais propriedade, Encarnação,
vamos seguir o segundo Capítulo do Evangelho segundo S. Lucas: o
édito de César Augusto, obrigando uma grávida próximo do termo a
uma penosa viagem de Nazaré a Belém, a fim de se recensear
juntamente com José. É conhecido o Presépio vivo onde, por não
haver lugar na hospedaria, tendo dado à luz o seu Filho,
o envolveu em panos e o recostou numa manjedoura. Entretanto, o
anjo do Senhor apareceu a uns pastores a quem diz: “…
anuncio-vos uma grande alegria… Hoje na cidade de David
nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor… “.
No desenvolvimento lógico da
Encarnação do Verbo, passados oito dias, de acordo com a Lei de
Moisés, cumprido o tempo da purificação (Lucas 2, 21 – 25),
Jesus foi levado a Jerusalém para ser apresentado ao Senhor e a
Este oferecido por ser o filho primogénito e ser circuncidado, o
que era acompanhado pela oferta de um par de rolas ou pombas,
conforme as possibilidades económicas dos pais. Voltando a Lucas
2, 31 e 32: “Depois voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua
mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia
em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos
homens.
Entretanto, sabemos do Evangelho
segundo Mateus 2, 3-15, como o anjo do, Senhor aparecendo em
sonhos a José lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe,
foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes
procura o menino para o matar. E ele levantou-se de noite, tomou
o menino e sua mãe e partiu para o Egipto, permanecendo ali até
à morte de Herodes”. Imagine-se nova provação para Maria: a
ansiedade, o cansaço, a incerteza, a incomodidade, os cuidados
com o Filho e tudo o mais que se possa imaginar. Ainda de Mateus
2, 19-23, após a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu
novamente a José e disse-lhe: “Levanta-te, toma o menino e sua
mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que
atentavam contra a vida do menino”. Perante o perigo de
Arquelau, filho de Herodes, ter
subido ao trono, Mateus conta-nos ainda que José, advertido em
sonhos, se retirou para a Galileia, para a cidade de Nazaré. E
Maria, obediente, seguia José e cuidava do menino.
Como propusemos, o passo
importante que se seguiu foi o episódio das Bodas de
Caná, para o qual entendemos
apoiar-nos em João, 2, 1-11. Caná
está, como Nazaré, situada na Galileia e Jesus já tinha
escolhido os discípulos que, com Ele e Maria, também estavam
presentes na boda. Maria foi a grande impulsionadora do primeiro
milagre público de Jesus: a transformação de água em vinho, esse
vinho que é indispensável para a celebração da Eucaristia.
Segue-se o Acompanhamento da
chamada Vida Pública de Jesus, onde a sua presença, nem sempre
evidente nos escritos, se adivinha ou aparece discretamente
descrita, num crescendo que se torna particularmente visível no
que hoje chamamos o tempo da Quaresma, no Calvário, Crucifixão,
Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Este acompanhamento faz-se
de forma discreta, silenciosa e acompanhada de intenso
sofrimento. A sua Fé é uma constante e ela faz um caminho
paralelo ao do Filho para o Pai. Chegamos ao Calvário com sinais
de que Maria se tenha encontrado com Jesus durante
Via Sacra, o que, embora não provado,
é grandemente provável. Maria quis mostrar ao Filho que estava
com Ele e como Ele sofria. Do Getsémani
ao Gólgota, Jesus foi humilhado e
sofreu e sua mãe acompanhou-o e igualmente sofreu. Sofreu por
Ele como continua a sofrer por toda a humanidade. E Jesus foi
crucificado. Do alto da cruz, entre outras santas mulheres,
Jesus, como nos conta João, 19, 26 e 27, “… ao ver ali ao pé a
sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: - Mulher,
eis o teu filho! Depois, disse ao discípulo: - Eis a tua mãe! E,
desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua”. E…Jesus
disse:”Tudo está consumado.” E, inclinando a cabeça, entregou o
espírito. (João, 19, 30). Segue-se “La
Pietá” que, no entanto, não vem
descrita em nenhum dos Evangelhos, que apenas nos dizem que foi
José de Arimateia quem teve a
permissão e o cuidado de sepultar Jesus (Mateus, 27, 57-60;
Marcos, 15, 43-45; Lucas, 23, 50 – 53; João, 19, 38 – 40). A
cerimónia da entrada no túmulo foi observada por Maria Madalena
e por Maria, mãe de José (Mateus, 27, 61 e Marcos, 15, 46).
J. A. PARDETE FERREIRA