EXCERTOS DA HISTÓRIA DA VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DO CARMO DE SETÚBAL

Parte IV

 

 
 

Após a ressurreição do Senhor, algumas mulheres foram ao sepulcro, que encontraram aberto, e verificaram que estava vazio. Um anjo do Senhor comunicou-lhes a Ressurreição de Jesus Cristo e elas apressaram-se a comunicar a notícia aos Apóstolos que, apesar de o terem acompanhado tanto tempo, tiveram dificuldade em acreditar. Após a Ressurreição, Jesus fez várias aparições: a primeira a Maria de Magdala, (Marcos, 16, 9 – 18), seguiram-se os discípulos de Emaús (Lucas, 24, 13 – 33) e, finalmente, apareceu aos próprios Onze (Marcos, 16, 14 – 19). Esta aparição não foi totalmente pacífica pois Tomé, o Gémeo, não estando presente na primeira aparição aos Apóstolos, só acreditou depois de ter visto (João, 20, 24 – 29). E Maria esteve sempre presente, pois, após a Crucifixão passou a andar com o seu “filho” João e com os outros Apóstolos. Jesus apareceu ainda aos Apóstolos na Galileia, no monte que lhes indicara (Mateus, 28, 16 – 20) e ainda nas margens do lago Tiberíades, tendo sido nesta altura que confiou a Missão Pastoral a Pedro.

 No decurso de uma refeição partilhada com os Apóstolos, após lhes ter dado umas últimas instruções, “… elevou-se à vista deles e uma nuvem subtraiu-o a seus olhos… “  (Actos dos Apóstolos, 1, 4 – 11), na sua Ascensão para o Céu, para a direita do Pai.

“Quando chegou o dia do Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar... Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito santo… “ (Actos dos Apóstolos, 2, 1 – 11).

A Assunção de Nossa Senhora é Dogma de Fé! Já sabemos quais são as condições necessárias à proclamação de um Dogma de Fé. A Assunção de Maria ao Céu é celebrada a 15 de Agosto. Já no século IV, Santo efrém escrevia: “O corpo virginal de Maria, depois da sua morte, não sofreu corrupção” (Meditar dia e noite na Lei do Senhor, Centro da Família Carmelita, Setembro de 2008). Da mesma fonte extrai-se que, entre outros se apoia nos textos: Génesis, 3, 15; Lucas, 1, 28 e Apocalipse de São João, capítulo XIII. De certo modo, quase que se pode afirmar, guardadas as devidas proporções, que este dogma foi “referendado”. Com efeito, após séculos de devoção, o Papa PioXII, em 1946, enviou uma carta a todo o episcopado perguntando se estariam de acordo com a proclamação da assunção de Maria como Dogma de Fé, solicitando que a opinião dos fiéis sobre fosse igualmente auscultada. Perante a resposta afirmativa da grande maioria, Pio XII não teve qualquer dúvida em proclamar o Dogma em 1 de Novembro de 1950, por intermédio da Constituição Apostólica “Munificentissimus Deus”. Avé Maria.

Para terminar esta incursão pelos factos mais salientes da vida de Nossa Senhora e da sua ligação ao Carmelo, continuando a apoiarmo-nos sobre o já citado “Meditar Dia e Noite… “, resta-nos acrescentar que as actuais constituições, datadas de 1996, apresentam a Ordem como “Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo”. Anteriormente, a palavra “Fratres” (Irmãos) aparece pela primeira vez num documento Papal de 1245: “Irmãos Eremitas do Monte Carmelo”. Em 1680 apareceu uma denominação especialmente feliz, por conter as características: Irmãos da Ordem, Mãe de Deus Maria, Virgem e Monte Carmelo. O título de Irmão de Nossa Senhora foi contestado, apesar de o defendermos com denodo. Conta-se que, no século XIV, havia em Chester, Inglaterra, um Mosteiro de Monges, cujo abade convocava todo o povo, anualmente, para uma procissão em honra de Nossa Senhora, Padroeira da Cidade. A particularidade vinha de o andor transportar uma imagem de Nossa Senhora sentada. Numa das procissões, os Frades Carmelitas, à passagem da Senhora, curvaram-se reverentemente. Nesse instante, a imagem da Senhora, tornando-se viva, pôs de pé, e, indicando os Frades Carmelitas, declarou: “Vós sois os meus irmãos”. As pessoas que contestavam esta ligação de Irmandade da Senhora aos Carmelitas, fizeram penitência e passaram a respeitar os Irmãos Carmelitas. A história é reportada por João Holdenstein no século XIV. Desconhece-se a veracidade do facto mas acontecimento parecido sucedeu em Montpellier, França. Com toda a legitimidade, podemos, pois, ser chamados: “Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo”.

 

J. A. PARDETE FERREIRA

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