Após a ressurreição do Senhor,
algumas mulheres foram ao sepulcro, que encontraram aberto,
e verificaram que estava vazio. Um anjo do Senhor
comunicou-lhes a Ressurreição de Jesus Cristo e elas
apressaram-se a comunicar a notícia aos Apóstolos que,
apesar de o terem acompanhado tanto tempo, tiveram
dificuldade em acreditar. Após a Ressurreição, Jesus fez
várias aparições: a primeira a Maria de
Magdala, (Marcos, 16, 9 – 18), seguiram-se os
discípulos de Emaús (Lucas, 24,
13 – 33) e, finalmente, apareceu aos próprios Onze (Marcos,
16, 14 – 19). Esta aparição não foi totalmente pacífica pois
Tomé, o Gémeo, não estando presente na primeira aparição aos
Apóstolos, só acreditou depois de ter visto (João, 20, 24 –
29). E Maria esteve sempre presente, pois, após a Crucifixão
passou a andar com o seu “filho” João e com os outros
Apóstolos. Jesus apareceu ainda aos Apóstolos na Galileia,
no monte que lhes indicara (Mateus, 28, 16 – 20) e ainda nas
margens do lago Tiberíades,
tendo sido nesta altura que confiou a Missão Pastoral a
Pedro.
No decurso de uma refeição
partilhada com os Apóstolos, após lhes ter dado umas últimas
instruções, “… elevou-se à vista deles e uma nuvem
subtraiu-o a seus olhos… “
(Actos dos Apóstolos, 1, 4 – 11), na sua Ascensão para o
Céu, para a direita do Pai.
“Quando chegou o dia do
Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar...
Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se
iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos
ficaram cheios do Espírito santo… “ (Actos dos Apóstolos, 2,
1 – 11).
A Assunção de Nossa Senhora é
Dogma de Fé! Já sabemos quais são as condições necessárias à
proclamação de um Dogma de Fé. A Assunção de Maria ao Céu é
celebrada a 15 de Agosto. Já no século IV, Santo
efrém escrevia: “O corpo
virginal de Maria, depois da sua morte, não sofreu
corrupção” (Meditar dia e noite na Lei do Senhor, Centro da
Família Carmelita, Setembro de 2008). Da mesma fonte
extrai-se que, entre outros se apoia nos textos: Génesis, 3,
15; Lucas, 1, 28 e Apocalipse de São João, capítulo XIII. De
certo modo, quase que se pode afirmar, guardadas as devidas
proporções, que este dogma foi “referendado”. Com efeito,
após séculos de devoção, o Papa PioXII,
em 1946, enviou uma carta a todo o episcopado perguntando se
estariam de acordo com a proclamação da assunção de Maria
como Dogma de Fé, solicitando que a opinião dos fiéis sobre
fosse igualmente auscultada. Perante a resposta afirmativa
da grande maioria, Pio XII não teve qualquer dúvida em
proclamar o Dogma em 1 de Novembro de 1950, por intermédio
da Constituição Apostólica “Munificentissimus
Deus”. Avé Maria.
Para terminar esta incursão
pelos factos mais salientes da vida de Nossa Senhora e da
sua ligação ao Carmelo,
continuando a apoiarmo-nos sobre o já citado “Meditar Dia e
Noite… “, resta-nos acrescentar que as actuais
constituições, datadas de 1996, apresentam a Ordem como
“Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte
Carmelo”. Anteriormente, a
palavra “Fratres” (Irmãos)
aparece pela primeira vez num documento Papal de 1245:
“Irmãos Eremitas do Monte Carmelo”.
Em 1680 apareceu uma denominação especialmente feliz, por
conter as características: Irmãos da Ordem, Mãe de Deus
Maria, Virgem e Monte Carmelo. O
título de Irmão de Nossa Senhora foi contestado, apesar de o
defendermos com denodo. Conta-se que, no século XIV, havia
em Chester, Inglaterra, um
Mosteiro de Monges, cujo abade convocava todo o povo,
anualmente, para uma procissão em honra de Nossa Senhora,
Padroeira da Cidade. A particularidade vinha de o andor
transportar uma imagem de Nossa Senhora sentada. Numa das
procissões, os Frades Carmelitas, à passagem da Senhora,
curvaram-se reverentemente. Nesse instante, a imagem da
Senhora, tornando-se viva, pôs de pé, e, indicando os Frades
Carmelitas, declarou: “Vós sois os meus irmãos”. As pessoas
que contestavam esta ligação de Irmandade da Senhora aos
Carmelitas, fizeram penitência e passaram a respeitar os
Irmãos Carmelitas. A história é reportada por João
Holdenstein no século XIV.
Desconhece-se a veracidade do facto mas acontecimento
parecido sucedeu em Montpellier, França. Com toda a
legitimidade, podemos, pois, ser chamados: “Irmãos da
Bem-aventurada Virgem Maria do Monte
Carmelo”.
J. A. PARDETE FERREIRA