Foi grande a tentação de
estabelecer o início da Ordem Terceira do Carmo em Elias e
Eliseu, tanto mais que vemos transcrita no “Meditar Dia e Noite
na Lei do Senhor”, no texto relativo a Novembro de 2008, a
mensagem da Senhora do Carmo ao Papa João XXII, em 03.03.1322:
“João, Vigário do meu dilecto Filho sobre a terra… concede à
minha santa e devota Ordem do Carmo, começada por Elias e Eliseu
no Monte Carmelo, uma ampla e
generosa confirmação, com que sancionarás na terra ou que já foi
sancionado no céu por meu Filho… Além disso, se forem ao
Purgatório, eu, Mãe da Graça e do Amor, irei ali, no primeiro
sábado depois da sua morte e levá-los-ei comigo ao Monte Santo
da vida eterna”.
Sem substimar,
minimamente, a influência que estes dois profetas tiveram no
desenvolvimento e no fortalecimento da Ordem, e seu nenhum
desrespeito nem menos Amor pela Mãe, querendo respeitar os dados
históricos, tenho de contrariar a minha vontade e interpretar a
mensagem como um estímulo enviado pela Senhora do Carmo a todos
os Carmelitas, no sentido de não terem medo, confiarem nela e
seguirem os exemplos de Elias e de Eliseu.
Não podendo seguir a minha
intenção inicial e não querendo seguir muito convenções rígidas,
ninguém me vai levar a mal começar a História da Ordem Terceira
do Carmo por São Joaquim e Santa Ana, pais, como se sabe de
Santíssima Virgem Maria, Mãe de Jesus Incarnado, apesar de nunca
constarem, para fins práticos nos Evangelhos – apenas em Lucas
3,23..
Reza a tradição, já no século II,
apoiada, principalmente, no Proto-Evangelho
de Tiago, citados na página que precede o anúncio do Anjo a
Maria (5ª Edição abreviada da Liturgia das Horas, segundo o Rito
Romano, editada pela Gráfica de Coimbra; La
Fleur des
Saints – 1910
prénoms et
leur histoire,
Éditions Albin
Michel; 1992;
Spe Deus, blogspot de
Sapo.pt, de 26.07.2008; Homilia do
Cardeal Tarcísio
Bertone, na Paróquia de Santa Ana do
Vaticano, no dia 26.07.2007, na Festa Litúrgica dos Santos Pais
de Nossa Senhora; do sítio
www.cademeusanto.com.br; e de Santa Ana –
Wilkipedia, entre outras obras
consultadas).
O culto de Santa Ana existia no
Oriente, a partir do século V ou VI, segundo as várias
fontes, celebrando os Gregos, ainda
hoje, três Festas por ano em sua honra. No Ocidente esta
veneração apareceu mais tarde, já no século VIII, quando, no ano
de 710, as suas relíquias foram levadas da Terra Santa para
Constantinopla, - onde o Imperador
Justiniano mandara construir uma igreja em sua honra, cerca de
550 - ou no século X, segundo outros autores. Após várias
peripécias, a Festa de Santa Ana, celebrada a 26 de Julho foi
suprimida em 1572 por Pio V e restabelecida por Gregório XIII em
1582, e após intervenções de vária ordem, nomeadamente de
Gregório XV, foi ainda, naturalmente, atacada por Martinho
Lutero, especialmente pela presença das imagens de Jesus e Maria
que eram, como se sabe, um dos temas favoritos dos pintores da
Renascença. Como resposta, a Santa Sé estendeu esta festa a toda
a Igreja em 1879, por Leão XIII.
O Culto a São Joaquim é mais
tardio, apesar de ter tido duas Festas, a 30 de Março e a 16 de
Agosto. Foi Paulo VI quem acabou com as divergências, se assim
podem ser chamadas, e juntou-os numa única Festa, celebrada a 26
de Julho, dez dias depois da de Nossa Senhora do Carmo.
Do mesmo modo, a tradição
encarrega-se de apregoar que São Joaquim pertencia à família
real de David, nascido em Nazaré, que era um rico fazendeiro e
qu, como tal, possuía um grande
rebanho. Era um homem pio. Santa Ana, por sua vez, teria como
pai um nómada judeu, de nome Akar,
que a teria trazido para Nazaré acompanhado pela esposa e mãe de
Santa Ana.
Após o casamento surge o grave
problema da esterilidade do matrimónio! Este facto trazia
tristeza a Akar, por não ter netos,
e complicações a São Joaquim, porque a não existência de filhos
era, ao tempo, considerada uma punição divina pela inutilidade
do homem que, neste caso chegou a ver o sacerdote Rúben, padre
do templo, recusar-lhe a oferta de um cordeiro.
Santa Ana, idosa para a época e
estéril, chorava e orava a Deus para atendê-la. Estando um dia
sob uma árvore, orando e pensando que Joaquim a abandonara, uma
vez que ele tinha partido para o deserto, um Anjo disse-lhe que
Deus atenderia todas as suas preces e que o filho que teria
seria honrado e louvado por todo o mundo, tendo-lhe ela
respondido: “Se eu conceber um filho ou filha será dom do meu
Deus e eu servi-lo-ei toda a minha vida”.
São Joaquim estava ausente porque,
entretanto, se tinha retirado para o deserto, onde jejuou e
rezou durante quarenta dias. Um dia, um outro Anjo apareceu-lhe,
anunciando-lhe que as suas preces tinham sido ouvidas e enviou-o
para casa, com o seu rebanho, tendo-se encontrado com Maria, que
para ele corria, a mando do Anjo que encontrara, num local
apelidado pela tradição Porta de Ouro. Após a Imaculada
concepção de Maria, celebrada a 8 de Dezembro, nove meses
depois, Santa Ana deu à luz Maria, a 8 de Setembro do ano 20
a.C., com cerca de quarenta anos e, tal como prometera ao Anjo
que a visitara sob a árvore, ofereceu-a ao serviço de Deus, no
Templo de Jerusalém, quando esta atingiu três anos e lá viveu
até aos doze anos. A partir deste tempo eles habitaram
Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda,
local onde hoje se ergue a Basílica de
Santana. Apesar duma lenda que está afixada e esculpida
na Igreja de Notre
Dame –la-Grande,
em Poitiers, França, a Virgem Maria
era filha única.
Ambos chegaram a ver Jesus, tendo
São Joaquim falecido após ter visto o seu Divino neto no Templo.