EXCERTOS DA HISTÓRIA DA VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DO CARMO DE SETÚBAL

Parte II

 

 
 

Tendo apresentado os pais da Santíssima Virgem Maria, pelas Sagradas Escrituras, pelas opiniões de teólogos de renome, tais como Santo Alberto Magno, São Tomás de Aquino e São Boaventura, e pelas tradição da Igreja e devoção popular, base dos três dogmas fundamentais ligados à Virgem Maria, - como de todos os outros, aliás - pode concluir-se; apoiando-nos na literatura já referenciada e nos muitos textos Marianos existentes, cujas citações nos dispensamos por serem inesgotáveis ou estarem contidos na Bíblia; que as vivências mais significativas da Virgem Maria são a sua Conceição Imaculada, a sua Natividade, o serviço no Templo até à puberdade, a Anunciação pelo Anjo São Gabriel da sua Maternidade Divina, a Visitação a sua prima Isabel durante a gravidez de João Baptista e o Magnificat, o Natal ou Encarnação, a Apresentação do Senhor, a fuga para o Egipto e o regresso à Galileia, as Bodas de Caná, o seu acompanhamento da chamada vida pública de Jesus, o seu sofrimento Pascal, paralelo ao do Filho até à Cruz e prolongado por aqueles dias que precederam a Ressurreição; ainda o seguimento das actividades dos Apóstolos durante o tempo que precedeu o Pentecostes e esta descida do Espírito Santo e que antecederam a Ascensão do Senhor e a sua própria Assunção, prelúdio da vigilância e auxílio constantes a toda a Humanidade, interessando-nos, muito particularmente, as suas ligação e irmandade ao Carmelo.

A Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, na opinião do Padre Frei Francisco Rodrigues, Ordem do Carmo, – o nosso Padre Chico – citando a Lúmen Gentio, onde está descrita a união da Virgem ao Seu Filho “por um vínculo estreito e indissolúvel”, celebrada, como se sabe, a 8 de Dezembro de cada ano. Esta Festa, que no Ocidente, já desde o século VIII, aparece incluída no Tempo do Advento que, como vem escrito no “Meditar dia e noite na Lei do Senhor”, publicado em Setembro de 2008 pelo Centro da Família Carmelita, “mais que qualquer outro tempo do Ano Litúrgico… é tempo de Maria”. A Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria foi proclamada Dogma de Fé pelo Papa Pio IX a 8 de Dezembro de 1854, após onze séculos de devoção popular, em Roma, como antes se escreveu, e dos estudos necessários a tal proclamação Papal.

Tratando-se apenas de um enquadramento prévio à História da Venerável Ordem Terceira do Carmo de Setúbal, as chamadas vivências fundamentais não serão desenvolvidas de maneira exaustiva, pelo que se aborda, de seguida, a Natividade de Nossa Senhora. Esta festa é celebrada a 8 de Setembro e já ocorria no século V no Oriente, tendo apenas começado no Ocidente (obediência a Roma) no século VIII. Considera-se que ela constitui “o início da salvação do mundo, realizada pelo seu Divino Filho”.

Como prometido por sua mãe, Santa Ana, a Virgem Maria serviu o Senhor no Templo de Jerusalém dos três aos doze anos, como já foi dito. Este serviço, iniciado em idade tão tenra e decorrendo até à puberdade, seguramente acompanhada por outras crianças da mesma idade e orientada por adultos judeus, provavelmente religiosos na sua maior parte, não deve ter sido fácil e, provavelmente, contribuiu para o fortalecer da sua capacidade de sofrimento, “herança genética” da sua Conceição Imaculada e da sublime Missão que lhe foi destinada.

Segue-se a Anunciação do Senhor. Na Lúmen Gentio, aprendemos que “o Pai das misericórdias quis que a Encarnação fosse precedida da aceitação por parte da que Ele predestinara para sua Mãe, para que assim como uma mulher contribui para a morte (Eva), também outra mulher (Maria) contribui para a vida”. Na Anunciação, feita por intermédio do Anjo Gabriel, Maria conheceu os desígnios do Senhor relativamente ao facto de ela vir a ter uma Maternidade Divina: ser a mão do Filho de Deus, tornado Filho do Homem, o Emanuel. O “Fiat” imediato de Maria, este “faça-se em mim segundo a Vossa vontade”, dito de modo tão espontâneo e com a humildade do Servir, permitiu que a Encarnação se realizasse e que uma nova Aliança se estabelecesse e que por ela a Redenção dos pecadores se tornasse possível.

A Visitação é assinalada a 31 de Maio. Ela vem particularmente descrita em Lucas, 1, 39 – 56: “… Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bem dito é o fruto do teu ventre…” e Maria acrescentou: ”A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador… “ E, antes de regressar a casa, Maria ficou com Isabel cerca de três meses.

E assim chegamos ao Natal ou Natividade do Senhor.

 

J. A. PARDETE FERREIRA

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